quarta-feira, 11 de março de 2009

Excomungado? Sim você pode também

Aproveitando o fato dos excomungados, posto aqui uma carta modelo de apostasia, retirada da lista de discução da STR.
Para isso basta colocar os seus dados e enviar em carta, de preferência com aviso de recebimento, para a paróquia na qual você foi batizado, recomendo também que envie um envelope selado com seu endereço para que eles mandem a confirmação da sua excomunhão.
Quem tiver exito, mande sua históia e foto da sua carta de apostasia para que eu possa publicar.



Prezado Senhor 

Tendo sido batizado na igreja da paróquia ---------------- da cidade de --------------/--, no mês de ----------- de ---------, sob o nome ---------------------- (filho de ------------------- e -------------------), é o presente para solicitar a remoção de meu nome daqueles registros de batismo com a seguinte menção: "declarado apóstata por carta escrita datada de ----- de ------------------------ de ----------".

Conseqüentemente, exijo que seja declara, incontinenti, minha excomunhão nos termos do § 1.º do Cânone 1364 do Código Canônico: "Apostata a fide, haereticus vel schismaticus in excommunicationem latae sententiae incurrit [...]".[1]

De fato, minhas convicções religiosas e filosóficas não correspondem àquelas das pessoas que estimaram em ter-me batizado. Assim, e agindo desta maneira, os seus escrúpulos da verdade - e os meus - serão aliviados, e os seus registros ficarão isentos de qualquer ambiguidade. 

Dos requisitos para a excomunhão:

Afirma o Cânone 751 do Código Canônico: "Dicitur haeresis, pertinax, post receptum baptismum, alicuius veritatis fide divina et catholica credendae denegatio, aut de eadem pertinax dubidatio; apostasia, fidei christianae ex toto repudiatio; schisma, subiectiones Summo Pontifici aut communionis cum Eclesiae membris eidem subditis decretatio".[2]

Conforme lição de Carlos Corral Salvador e José Maria Urteaga Embil[3], o conceito de Apóstata aparece no cânone 751: "Apostasia é o repúdio total da fé cristã".

Existe este repúdio, quando se repudia o próprio fundamento da fé cristã, quer dizer, os mistérios da Trindade e da Encarnação. É apóstata da fé cristã quem rejeita Jesus Homem-Deus, pois a fé cristã consiste substancialmente na revelação que Deus fez, em Jesus, Deus e Homem.

É necessário, porém, distinguir o pecado de apostasia do delito de apostasia. O cânone 751 declara quem é Apóstata, no sentido teológico e moral. Mas, para que o pecado de apostasia seja também delito de apostasia, é preciso comprovar se existem elementos essenciais do delito, de modo especial os indicados no cânone 1330. Para que exista o delito de apostasia, é preciso que o repúdio da fé cristã, enquanto tal, seja externo; e, para que possa ser considerado consumado, é preciso que seja percebido por alguém.

Outro não é o caso! Meu ato é externo, posto que escrito, e percebido por alguém, os senhores, que dele são testemunhas.

A pena prevista para o Apóstata, como também, em seu caso, para o herege e o cismático, é, de acordo com o cânone 1364, a excomunhão latae sententiae.

Ainda no cânone 751, define-se a Cisma como a recusa de sujeição ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos. Quem se subtrai à obediência da Igreja e à comunhão constitui-se propriamente em Cismático, pois o pecado de cisma consiste em recusa de sujeição ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos, independentemente do motivo que haja para tanto. Esse fiel incidiria numa rejeição formal da Igreja católica, de que fala o cânone 1117.

Já a Heresia se trata da negação ou dúvida pertinaz de uma verdade que deve ser crida com fé divina e católica da parte de um batizado. No cânone 750[4] indicam-se quais as verdades de fé divina e católica.

Com relação à gravidade do presente ato, e conforme declarava o Código Canônico de 1917, a pena é latae sententiae (ou automática) se vai unida, de tal forma, à lei ou ao preceito, que se incorre nela pelo próprio fato de se ter cometido o delito, não sendo necessário que o juiz ou o Superior a aplique. No mesmo Código, definia-se o "dolo", em matéria penal, como a vontade manifesta de violar a lei.

Essas definições estão claras na presente missiva, não podendo ser negadas, além de continuar sendo válidas atualmente. "Delito doloso" será, pois, o delito cometido à ciência e consciência de que se está transgredindo um preceito legal.

Da motivação para a excomunhão

Reconheço que para a igreja é muito mais fácil reconhecer outras superstições, e que, não sendo familiarizada com o racionalismo, ela (a igreja) tem dificuldade em aceitar a decisão de renúncia da fé religiosa.

Portanto, como forma de confissão pública de minhas intenções de ser excomungado, e para ter certeza de que minha blasfêmia esteja suficientemente clara, afirmo:
Eu não sou mais um Católico Romano. Eu não aceito a posição da igreja sobre o aborto. Eu não quero continuar a ser computado como católico. Eu sou ateu.

Eu, por meio desta, renuncio a todas as armadilhas da religião.

Eu renuncio a todas as bênçãos, benefícios, graças, santificações e vantagens supostamente conferidas a mim por qualquer ato religioso realizado por mim ou em meu benefício no passado, no presente ou no futuro.

Eu condeno a monstruosa idéia do pecado original, e renuncio a qualquer batismo feito por mim ou em meu benefício com a intenção de retirar este dito pecado de mim.

Eu rejeito como ridícula a idéia dos sacrifícios expiatórios e de seus presumidos benefícios.
Eu não creio na existência de (d)eus ou de deuses, reinos sobrenaturais ou vida após a morte, e não agirei como se eles existissem.
Eu não creio que qualquer livro, construção, local, pessoa pensamento ou ato seja santificados e eu não fingirei que eles são.
Eu me recuso à sujeição ao Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana.
Eu não penso que orações sejam mais do que meras conversas consigo próprio, e não vou fingir que sejam.
Eu não creio que qualquer pessoa seja mais santificada que qualquer outra, ou que qualquer ser humano deva ser mais elevado em relação a outro por qualquer motivo, seja por ancestralidade, raça, sexo, ocupação, crença ou qualquer outra razão, e não fingirei que seja.

Como pessoa racional e de princípios que sou, incomoda-me muito o fato de que alguém em algum lugar, possa me incluir como um membro de uma superstição irracional que tem causado, e ainda causa, irreparáveis danos à humanidade, e com a qual estou em profundo desacordo.

Por favor, removam meu nome dos registros da igreja, efetivem minha excomunhão, e registrem que eu não mais sou um Católico Romano.

Solicito, por fim, confirmação escrita deste ato e, por favor, sejam o mais rápido possível.

Não pense que esta carta foi escrita em algum momento de furor insano e inconseqüente contra sua instituição religiosa. Muito antes e pelo contrário. 

Eu sei que esta carta envolve excomunhão e estou a par das implicações e das conseqüências de meu ato.

E, para terminar, afirmo que faço isto de plena consciência, de livre e espontânea vontade, e com grande alegria por me ver livre do fardo de ser considerado católico.

Nestes termos

Cética, laica e atenciosamente

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Darwin 200 anos


Arte criada pelo Rodrigo Souza, do Caneca Orbial

IDÉIAS DE DARWIN AINDA 'ASSUSTAM'

Se Charles Darwin estivesse vivo para comemorar seu aniversário de 200 
anos, hoje, é provável que haveria protestos diante de sua casa. 
Pesquisas mostram que, mesmo com todas as evidências científicas 
acumuladas nos últimos 150 anos, desde a publicação de A Origem das 
Espécies, a aceitação de sua teoria da evolução por seleção natural 
ainda enfrenta dúvidas e angústias entre o grande público - 
principalmente no que diz respeito à evolução dos seres humanos.

"Para muitas pessoas, a ideia da seleção natural é simplesmente 
repugnante, ameaçadora, assustadora", disse ao Estado o filósofo 
americano Daniel Dennett, da Universidade Tufts, em Massachusetts. 
"Sem falar, é claro, que ela derruba qualquer argumento razoável que 
alguém já teve para a existência de Deus. Não surpreende que tanta 
gente esteja sedenta por evidências que questionem a teoria."

Dennett é, ao lado do britânico Richard Dawkins, um dos defensores 
mais ferrenhos do darwinismo e do ateísmo. Em 1995 ele publicou o 
livro A Perigosa Ideia de Darwin: a Evolução e os Significados da 
Vida. Agora, em 2009, diz ele, a teoria darwiniana - de que todos os 
seres vivos, incluindo o homem, evoluíram de um ancestral comum por 
mecanismos puramente biológicos de mutação e seleção - continua tão 
"perigosa" quanto em 1859.

"Além das motivações religiosas, há pessoas que interpretam a ideia de 
que somos `máquinas' biológicas projetadas pela seleção natural para 
propagar genes como uma ameaça ao seu ego e à sua autonomia moral", 
diz Dennett. Segundo ele, porém, o fato de sermos produtos dos genes 
não significa que estejamos subordinados a eles. "Nossa autonomia é 
real, mas não é absoluta - nem tão misteriosa nem miraculosa. Ela 
evoluiu da mesma forma que nossos olhos e nossa memória. Nossa 
liberdade é um produto da evolução. Se as pessoas entendessem isso - 
algo que, admito, está longe de ser óbvio - elas não se sentiriam tão 
ameaçadas pela ideia de uma ciência materialista que explique a 
existência humana. Essa ciência não substituiria a ética, as artes ou 
as humanidades; ela seria sua fundação."

Mesmo na Inglaterra, o país de Darwin, uma pesquisa divulgada na 
semana passada mostra que metade das pessoas não acredita na teoria da 
evolução - ou, pelo menos, tem sérias dúvidas sobre ela. Os resultados 
incluem um gradiente de opiniões, polarizadas por aqueles que 
descartam completamente a evolução até aqueles que descartam 
completamente a existência de Deus.

O professor de sociologia Antônio Pierucci, da Universidade de São 
Paulo, diz que a rejeição a Darwin é compreensível e que a aceitação 
da origem evolutiva do homem deverá aumentar com o tempo. "Imagine 
como foi difícil para as pessoas, nos séculos 16 e 17, aceitarem que a 
Terra girava em torno do Sol", compara. [i]

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,ideias-de-darwin-ainda-assustam,322366,0.htm

POR QUE O CÉREBRO ANIMAL NÃO ACREDITA EM DARWIN

O ESTADO DE S. PAULO, 12-02-2009

Fernando Reinach

Cento e cinquenta anos após sua publicação, o Homo sapiens ainda tem 
dificuldade em acreditar nas descobertas de Darwin. As ideias de 
Darwin e Galileu sofrem da dificuldade do cérebro humano em aceitar 
conceitos abstratos que se chocam com observações diretas dos 
sentidos. Sabemos que a Terra gira ao redor do Sol e a cada dia 
observamos o Sol cruzar o céu. Se tivéssemos incorporado a descoberta 
de Galileu, observaríamos que na madrugada o horizonte desce, expondo 
nossa casa à luz solar. Ao longo do dia, à medida que o horizonte 
continua a descer, nossa cabeça aponta em direção ao Sol. Quando a 
Terra completa meio giro e estamos de ponta-cabeça, o horizonte se 
eleva e cobre o Sol que permanece imóvel. Apesar de esta ser uma 
descrição mais precisa do que ocorre, nosso cérebro se recusa a "ver" 
o desenrolar do dia desta maneira.

O motivo desta dificuldade é bem compreendido pelos darwinistas. Os 
sistemas visuais surgiram faz centenas de milhões de anos. Eles foram 
selecionados porque melhoram a sobrevivência dos animais, permitindo a 
localização de alimentos e predadores. Ao longo de milhões de anos 
esses sistemas se tornaram sofisticados e rápidos nas tarefas para as 
quais foram selecionados. Eles permitem que nosso cérebro, observando 
o movimento de uma presa (ou uma bola de futebol), seja capaz de 
ajustar nosso movimento de modo a interceptá-la no momento seguinte. 
Quando um jogador chuta a bola em direção à área, seu cérebro calculou 
que o atacante estará lá para recebê-la nos próximos segundos. 

Ao fazer o passe, o jogador se beneficia de um sistema visual que não 
foi selecionado para jogar futebol. O sistema visual considera o corpo 
que habita como ponto de referência. Para essa parte de nosso cérebro, 
somos o centro do universo. Apesar de eficiente e rápido, nosso 
sistema visual é péssimo quando se trata de imaginar movimentos de um 
ponto de vista que não seja o nosso (por isso juízes de futebol têm 
dificuldade de identificar um impedimento e nos atrapalhamos ao 
explicar como a órbita da Lua e da Terra determinam as fases da Lua). 
Essa "deficiência" de nosso cérebro explica parcialmente porque grande 
parte da humanidade crê que o sol gira em torno da Terra.

Com o desenvolvimento do pensamento abstrato, nosso cérebro passou a 
dispor de dois mecanismos para compreender o mundo. Um, primitivo, 
baseado nas informações dos sentidos; outro, capaz de entender o mundo 
de forma analítica. Foi utilizando sua capacidade analítica e de 
abstração que Galileu descobriu que a imagem produzida por nosso 
sistema visual é parcial e distorcida. A Terra não é plana, o Sol não 
gira em torno de nós e não somos o centro do Universo. Apesar de nossa 
mente racional "entender" as descobertas de Galileu, nosso cérebro 
insiste em nos informar que o Sol "sobe" detrás da montanha e 
"caminha" em direção ao céu. Algumas pessoas, tentadas por nosso 
cérebro animal, ainda suspeitam ser o centro do Universo.

Com a teoria da evolução de Darwin ocorre fenômeno semelhante. Desde 
que os cérebros e os sistemas visuais surgiram, eles têm observado 
outros seres vivos. E o que os olhos observam é que os seres vivos se 
comportam como se fossem guiados por uma vontade interna ou um plano 
de ação com objetivos definidos. As plantas crescem em direção ao Sol, 
as raízes buscam água. Aves constroem ninhos e alimentam filhotes com 
sementes que amadurecem quando eclodem os ovos. Nosso sistema visual 
nos informa que todo ser vivo segue um plano e cada parte desse plano 
parece ser um dos elementos de um projeto maior. É fácil imaginar como 
nosso cérebro criou o conceito de um ser superior. 

Mas nossa mente também é capaz de pensar de maneira abstrata e Darwin 
observou os seres vivos de outra perspectiva. A ênfase é a transmissão 
das características de uma geração para a próxima, a competição por 
alimentos e a diversidade de seres vivos associada a cada ambiente. 
Observado o mundo sob esta nova perspectiva, Darwin evolui na ausência 
de um plano mestre. A transmissão das características herdadas, o 
acaso produzindo a diversidade e um processo de seleção que só permite 
a sobrevivência dos mais adaptados para cada ambiente é suficiente 
para explicar a evolução dos seres vivos. Por trás da ordem aparente 
está um processo randômico guiado pela seleção natural. Uma visão que 
contrasta com o que informa nossos sentidos. 

Do mesmo modo como nosso cérebro animal se recusa a acreditar que o 
horizonte se abaixa todas as manhãs temos uma enorme dificuldade em 
aceitar a inexistência de um plano ou projeto que organize a vida no 
planeta. Vale o velho ditado, "o que os olhos não veem, o coração não 
sente" e a mente não aceita. 

Este comportamento primitivo do nosso cérebro é semelhante a outras 
reações que herdamos de nossos ancestrais, como o medo hereditário do 
escuro e das cobras. Hoje sabemos que o cérebro que habita nosso 
crânio foi selecionado durante milhões de anos para garantir nossa 
sobrevivência nas florestas e, apesar de recentemente ter se tornado 
capaz de dominar a escrita, a fala, e o pensamento abstrato, nele 
ainda sobrevivem características que eram essenciais para nossos 
ancestrais. 

A beleza da descoberta de Charles Darwin é que além de explicar a 
evolução da vida no planeta, ela permite que investiguemos nossa 
natureza animal. Isso significa aceitar que somos o produto de um 
processo evolutivo complexo e que ainda carregamos conosco grande 
parte do nosso passado. Aos poucos, ao longo das últimas décadas, 
estamos identificando essas características primitivas. Talvez, 
gradualmente, sejamos capazes de aprender a conviver e desfrutar 
dessas habilidades do mesmo modo como um jogador de futebol se 
aproveita do sistema visual desenvolvido quando habitávamos as 
planícies africanas. Este autoconhecimento biológico talvez seja nossa 
única chance de controlar nosso instinto predador e postergar a 
extinção do Homo sapiens. 

*Biólogo - fernando@reinach.com

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090212/not_imp322441,0.php?

Dia do Orgulho Ateu



Ateus e atéias do Brasil, saiam do armário e comemorem.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Pat Condel - A Água da Vida

Voltando aos poucoa à vida real, coloco aqui um texto um pouco atrasado do Pat Condel sobre o natal. 


E abaixo a tradução do texto que eu peguei na lista do grupo Secularismo, link para participar do grupo na barra lateral

Olá para todos!

Como alguns de vocês notaram ,estive ausente por algum tempo em
uma viagem de drogas. Não apenas isso. Era uma viagem de drogas
ateísta, o que faz dela mil vezes pior. Ao menos eu espero que faça...

Mas agora que eu estou novamente em uma forma razoável, resolvi
fazer esse vídeo, primeiramente para desejar a todos um Feliz Natal,
quer queiram ou não, e também para responder algumas questões
que me foram propostas recentemente.

Alguém me disse: “Você sabe, você não vai ganhar a batalha de
idéias insultando as pessoas que discordam de você”.

Esse é um bom ponto. Ou melhor, seria se nós estivessemos engajados
em uma batalha de idéias.Mas infelizmente a religião não tem idéias,
tem dogmas. E o propósito do dogma é ficar no caminho das idéias,
esmagá-las e matá-las antes que elas consigam mudar alguma coisa.

Porque como todos sabem a mudança para a religião é como kriptonita
para o Super-homem. É tão bem recebida quanto alho para um vampiro,
porque ameaça a posição das pessoas que controlam a religião para seu
próprios ganhos egoístas e ignorantes.

Em segundo lugar, eu não insulto pessoas porque discordo delas. 
Pessoas que acreditam em, digamos, espiritualismo ou astrologia,
mesmo que eu não acredite nessas coisas. Se bem que eu tenho de dizer
que eu penso que os planetas realmente influenciam nossas vidas,
principalmente por não esbarrarem em nós. Razão pela qual eu realmente
sou agradecido a eles.

Mas se os astrólogos estivessem exigindo privilégios especiais o tempo
todo e insistindo que dever-se-ia permitir que suas crenças controlassem
o comportamento das outras pessoas, eu provavelmente adotaria um 
discurso muito diferente.

Se os astrólogos aproveitassem de isenções de impostos e rotineiramente
abusassem dessas isenções para intrometer-se na política e forçar seus
valores na vida de outras pessoas; ou se eles reagissem em fúria, 
ameaçando matar pessoas, ao menor sinal de crítica às suas crenças;
ou se fosse permitido que os astrólogos doutrinassem crianças pequenas,
antes que as suas mentes estivessem plenamente formadas, e se eles
então molestassem muitas dessas crianças; protegesem uns aos outros
da justiça, enquanto insistiam que mulheres e homossexuais não podiam
praticar a astrologia porque são mulheres e homossexuais, então esles
estariam pedindo que os insultos escapassem. É assim que funciona.

E eu não me desculpo por isso. Por que deveria, quando a religião tem a
cara-de-pau de clamar que tem a autoridade moral, quando todos podem
ver que ela nem mesmo tem uma consciêncdia moral? Como ela poderia
ter, quando está tão isolada do auto-exame através da obediência cega
às “escrituras”?

Parece que dificilmente se passa uma semana, nos dias atuais, sem
que tenhamos de ouvir algum clérico reclamando que o secularismo vai
levar à anarquia moral e a uma falência da nossa sociedade, como se
as pessoas realmente fossem estúpidas o suficiente para engolir porcaria
para mentes estreitas e que só os beneficia.

Obviamente, ninguém quer viver num vácuo moral. Bem, ninguém fora os
políticos e banqueiros. Mas, longe de sentir esse “vácuo” que ela sempre
afirma, a religião realmente criou-o, usando as “escrituras” como um
substituto vazio para a moralidade genuína, negando às pessoas a 
chance de formarem suas próprias e mais substanciais barreiras morais
no único lugar onde se encontra algo realmente de valor, e isso é no 
interior. Se algo não vem de dentro, então não vale um centavo, e você 
sabe disso no seu coração. Você sabe que [o que vem de fora] foi 
colocado lá como uma roupa barata de domingo e é tão falso quanto 
uma gravata borboleta com presilha.

Se você retira a sua moral das escrituras de forma não crítica, você 
realmente não é melhor que um cachorro que tem medo de roubar a 
carne porque sabe que será chicoteado. Ele ama aquela carne mais 
que qualquer outra coisa, mas como você a sua bússola moral o 
mantém no caminho estreito. Que bom cachorro ele é!
 
É claro que um cachorro não tem uma alma, aparentemente, então ele 
não tem o problema de viver para sempre. Mas você tem, e você sabe 
que será chicoteado para sempre se você apenas pensar em tocar 
naquela carne, seu cachorro mau! Seu pecador miserável!

Bem, talvez isso não se aplique a você porque você é, de fato, um 
adorador feliz.Pode ser que você abrace o Senhor a cada dia com um 
coração cheio de alegria, e isso é grande! Mas com certeza você sabe 
que no momento em que você mudar de idéia sobre o Senhor e parar 
de abraçá-lo, você estara se colocando em uma terrível e eterna tortura. 
Você nunca sentiu como se alguém estivesse atirando nos seus pés 
para fazer você dançar? Porque é assim que parece para um 
observador neutro.

Bem, talvez esse seja apenas minha conversa ignorante, porque há 
uma outra coisa da qual sou bastante acusado. Alguém disse 
recentemente: “Você claramente não compreende o que a fé de uma 
pessoa realmente significa para ela. Para mim ela como a água da vida!”

E vejam que frase bonita: “a água da vida”! Sem a qual, é claro, não pode 
haver vida.

Mas mesmo a água da vida tem de ser contida e apropriadamente 
manuseada, ou ela pode sair de controle, invadindo lugares aos quais 
ela não pertence e causando danos reais.
 
Por exemplo, se a água da sua vida reunir-se à água da vida de outras 
pessoas e formar uma inundação, uma torrente veloz de certeza absoluta 
que varre tudo de diante de si, inclusive a razão, bem, aí ela não vai parecer 
mais a água da vida, não é? Ela estará se tornando rapidamente a 
água da morte, já que tudo em seu caminho é destruído: pensamento original,
questionamento racional, liberdade de expressão são esmagadas de encontro
às rochas da escritura e do dogma cego.

O que se precisa aqui, obviamente, é de uma represa para conter essa 
água da morte, convertê-la novamente em água da vida e dar a todos nós 
a chance de acendermos uma luz em nossas mentes. E é aí que entra o 
secularismo! Ele é o amigo de todos, de crentes e não-crentes similarmente.
O que faz dele, segundo penso, a verdadeira água da vida. Pelo menos 
tanto quanto isso aqui [exibe um copo de cerveja escura], a cerveja. 
 
Saúde! [Toma um gole da cerveja]
 
Humm! Isso é o que eu chamo de água da vida.

Um Feliz Natal para todos. Especialmente para os muçulmanos idiotas 
que pensam que comemorar o Natal é pecado. Claro que é! Por isso é 
que é divertido!

Paz!