segunda-feira, 15 de abril de 2013

Feliciano é a prova que estamos caminhando para o destino certo


OK, admito, o título foi um pouco para captar audiência sim, mas não deixa de ser verdade essa afirmação, pelo menos segundo ao ponto de vista que irei expressar logo abaixo, então vamos à explicação.

É muito complicado exigirmos que no meio do caos a pessoa de uns passos para trás e avalie e real dimensão das coisas. E por sermos profundamente imediatistas, ficamos cegos para às tendências e perdemos a oportunidade de visualizar para que caminho os acontecimentos estão nos levando.

Digo isso pois depois de uma reflexão sobre ás crescentes manifestações conservadoras, principalmente vindas de líderes religiosos.

É de fácil constatação que cada vez mais e com uma velocidade cada vez maior, a religião vem perdendo seu espaço. Tanto pela tendência do crescimento da parcela ateísta da população, muito por conta deles agora começarem a se sentir mais a vontade em declarar sua não crença, como, e aqui acho que vale uma atenção especial, à parcela da população que se diz possuir religião mas cada vez mais diminui sua importância nas suas ações do dia a dia. Para quem tiver curiosidade, segue aqui alguns dados do Gallup de 2009 (http://en.wikipedia.org/wiki/Importance_of_religion_by_country).

Muito disso se da pelo fato de como os alicerces das religiões foram construídos, na mais fofa das areias.

Se recapitularmos um pouco, vamos lembrar que desde os primórdios, as religiões foram inventadas primariamente para explicar os acontecimentos mais básicos do cotidiano, por exemplo, de onde vem o dia, a noite, a chuva, o trovão, as estações e por ai vai.  Um pouco mais tarde, começaram a servir para explicar de onde viemos, por que morremos, por que estamos aqui. Evoluindo um pouco mais o pensamento, serviu para justificar direitos sobre terra e poder, a qual posição hierárquica a pessoa pertence, o direito de escravizar, etc. E por fim, usada para justificar diretrizes morais, que SEMPRE, em todas as ocasiões, favoreciam, por muita "coincidência" àqueles mesmo que às divulgavam.


Como podemos perceber, os alicerces que sustentam essas afirmações são profundamente frágeis. Durante muito tempo resistiram, mas tal como uma partida de Jenga, após retirar uma peça, mesmo tentando realoca la, a instabilidade da sustentação só aumenta. Quando passamos a ter respostas mais convincentes sobre os fenômenos naturais, questionamentos sobre a participação no poder, etc, a torre começou a balançar.


Com isso cada vez mais as religiões se viram forçadas a reagir para não desaparecerem, se refugiando em teorias absurdas para conciliar seus dogmas com a ciência, como a risível teoria do "design inteligente", por meio de força e repressão, proibindo o acesso à informação, como no caso das ditaduras religiosas do oriente, ou se colocando como a palavra final em questões relativas à moralidade da sociedade, principalmente em países em movimento de reformas econômicas e sociais.

E tal como um animal que se sente que seu território esta sendo invadido, sua reação é atacar com ferocidade, dar exemplos de força, urrar, essas coisas.

O que estamos presenciando hoje é mais ou menos isso, o território das religiões esta sendo invadido. Tanto pela crescente parcela da população que esta migrando para o ateísmo quanto por aqueles que passaram a não mais encarar os dogmas religiosos com menor importância. Vemos uma crescente migração da crença em um deus pessoal que age efetivamente no dia a dia (algo até caricato) para um deus que existe mas não interfere no andamento do mundo (desnecessário).

Esses momentos de transformação já ocorreram, por exemplo nas saída da idade das trevas para o iluminismo (engraçado como a história se refere ao período comandado fortemente pela religião como treva  e a acensão do humanismo como luz). Para quem não é muito familiarizado com história, essa foi a época em que grandes dogmas religiosos começaram a ser derrubados pela ciência, como a teoria do geocentrismo e o formato da terra, por exemplo. E vendo suas esse avanço, qual foi a "solução" encontrada pelo poder da época? A fogueira. Da mesma maneira quando as mulheres começaram a pleitear um lugar de maior destaque na sociedade, foram declaradas como bruxas, e também foram às tochas. Já do outro lado, ainda vemos isso, porém ao invés de tochas, são pedras. Mas de novo, para não perder o poder, não perder território, reagem de maneira violenta, uma vez que o medo de alguma divindade já não se faz suficiente, imprimem o medo pelos representantes desta.

O que acontece aqui é parecido, porém com menor violência institucionalizada  apesar de existirem casos isolado, que cada vez mais deixam de ser isolados para se tornarem comuns. 

As religiões começam a perceber que seu espaço e relevância começam a diminuir. Para se defenderem desse avanço se refugiam nas poucas lacunas que ainda restam, como da existência de vida após a morte, algo que podem vender à sua clientela, já que nunca ninguém ira voltar para reclamar que foi enganado, e alguns assuntos que dão visibilidade e inflamam discussões como no caso do aborto e de relações homoafetivas.

Existe uma característica muito interessante nos animais que é o comportamento de bando. Temos a tendência de sempre seguir a multidão, isso explica por que gostamos de sentar em restaurantes cheios, pegar filas, etc. Em nossa cabeça, se tem muita gente, é por que é bom. Isso explica a tática das religiões evangélicas de fazer cultos barulhentos, presença constante na televisão, a figura de pastores que guiam seu rebanho, etc. Uma coisa tenho que admitir, elas utilizam todas as técnicas da psicologia comportamental com primor.

Por conta disto, que pelo menos em minha análise, concluo que a intensidade da "violência" na defesa de seu território é proporcional a intensidade da ameaça aos mesmos. E isso vale não só para a religião, mas como para a sociedade como um todo, principalmente, para voltar um pouco ao tema do post anterior, no que diz respeito àqueles que começam a ter alguns de seus "direitos" ameaçados. Podem me chamar de otimista, mas por isso que digo que a aparição de Felicianos e conservadores em geral é um sinal que o caminho esta correto.

Se estivessem estes confortáveis com a situação e com certeza da continuidade da influência de seu poder, não teríamos manifestações tão acaloradas. Como diz o ditado, não se chuta cachorro morto.

Infelizmente ainda é apenas o início da caminhada, muita gente ainda vai sofrer, física e psicologicamente. Presenciaremos ainda inúmeros casos de intolerância, perderemos batalhas importantes, mas, da mesma maneira que aconteceu quando os Nazistas decidiram marchar rumo a Stalingrado, o resultado final já é sabido.

Para quem sofre com na pele, sei que parecerá uma eternidade e muitos não virão a vitória final. Mas se serve como consolo, voltando à idade média, foram as fogueiras que começaram a dar um fim à escuridão.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Brasil, uma grande criança mimada



O grande problema de uma sociedade em fase de crescimento, como a do Brasil, é a incoerência. 

Como já até escrevi algumas vezes, as coisas só são certas quando são a favor, quando alteram em qualquer ponto o status quo, a pessoa/sociedade, age como se fosse uma perseguição, algo pessoal, tal qual a famosa personagem Veruca, de A Fantástica Fábrica de Chocolate.
Estamos vivendo uma época de profundas transformações. 

A principal delas é a divisão de poder. Por definição, poder é algo finito, portanto para que alguém tenha mais poder, alguém tem que perder. E por nossa sociedade ainda estar na fase de desenvolvimento de pelos pubianos, causa um grande desconforto.

Abrir mão de poder, por menor que seja é algo complicado em uma sociedade na qual se valoriza muito mais a posse do que o uso. Mesmo que países mais "adultos" deem claras manifestações de caminharem para o caminho oposto.

A sociedade tende a ter memória muito curta. Já vivemos N situações desse tipo, em menor ou maior grau. Um exemplo muito claro foi a entrada das mulheres no mercado de trabalho. Vamos ao exemplo.

 Há bem, bem pouco tempo atras, as mulheres não faziam parte efetiva do mercado de trabalho, e mesmo quando fazia não tinham grande contribuição no orçamento doméstico. Seus empregos eram muito mais considerados como Hobbies do que trabalhos em si, o poder de comandar a casa cabia ao homem, já que este era o provedor, este ditava as regras, preferia arcar com todo peso desta responsabilidade. Era o chefe da família.

Engraçado como as figuras de linguagem explicam muito. 

Chefe de família, fica clara a hierarquização da instituição. E é chefe pois é ele quem traz o dinheiro, (e dinheiro sempre foi, é, e queiram ou não, vai continuar sendo poder, mas isso é tema para outro post).

Um ponto muito interessante da psicologia humana é a aversão às perdas. O ser humano se sente muito pior em perder do que, comparativamente, ganhar. Quem quiser se aprofundar um pouquinho sobre este tema, aqui tem um bom começo, e uma boa bibliografia http://en.wikipedia.org/wiki/Loss_aversion

Com base nisto, podemos entender por que, no caso da entrada da mulher no mercado de trabalho, a aversão inicial, uma vez que a perda de poder do homem dentro de casa, uma vez que a mulher passaria a contribuir cada vez mais com o orçamento doméstico, é muito mais sentida do que os ganhos que a família passaria a ter, com um maior rendimento.

Foi necessária, literalmente, uma revolução das mulheres para tentar quebrar este paradigma e tomar um pouco de poder.

Em maior escala, vemos esse mesmo sentimento na mobilidade de classe social. A partir do momento que classes menos favorecidas passam a ter maiores recursos financeiros, passa a ter mais poder, e apesar de todo benefício que isso possa trazer à sociedade como um todo, por conta de nossa aversão à perda, o foco maior se dá à diminuição do poder das classes superiores.

(E apenas para deixar bem claro, e já deixando o tema para um próximo post, acredito que apenas o capitalismo propícia essa mobilidade entre as classes, e que apesar que a tendência é a busca por um equilíbrio, pessoas não são iguais, tentar trata las iguais é artificial, sempre existirão pessoas melhores e mais bem capacitadas que outras, e estas devem sim usufruir das vantagens obtidas pelo seu esforço.)

Isso fica evidente em dois casos recentes, o da regulamentação das empregadas domésticas e do direito dos gays. Existem muitos outros, mas para o texto não ficar cansativo, vou ficar apenas nestes dois.

Vamos ao caso das domésticas. Ao meu ver, o que acontece é o seguinte, uma grande parcela dos empregadores não enxergam esta relação como uma relação de trabalho, e sim como uma relação de assistencialismo. Algo do tipo, "Como exigir direitos, se ela não estivesse trabalhando comigo ela não teria oportunidade alguma na vida, estaria na miséria. Depois de ter aberto minha casa a ela, é este o agradecimento que recebo?". E aqui não faço nenhum juízo de valor. Não acho que quem pensa assim é mau caráter, nada disso. Mas a mudança do equilíbrio de poder é algo traumático. Quem pensa assim, acredito eu, na grande maioria dos casos, acha sinceramente que é um benfeitor. Mas não é. É um empregador, em uma relação de trabalho, na qual existem direitos e deveres de ambas as partes. Dentro das argumentações que li, o menor problema é a questão do quanto mais dinheiro seria desembolsado, e sim no quanto de poder que deixaria de estar concentrado nas mão de quem emprega. 

Já no caso do casamento gay, temos algo parecido. O que esta em jogo aqui não é o simples fato de duas pessoas que você não conhece, não convive, etc, poderem ou não casar, e sim a perda do poder de definir o que é normal ou não. A partir do momento em que é estabelecida uma igualidade de direitos a uma parcela da população que vive um estilo diferente do seu, fica claro que sua opinião não é mais importante que a dos outros, o seu poder passa a ser diluído, e em uma sociedade na qual o lugar que se ocupa é intimamente relacionado a quantidade de poder que possui, é novamente bastante traumático.

A tentativa das igrejas em tornar seus dogmas em leis não tem nada a ver com o que acreditam, afinal, se o que eles acreditam é verdade, por que não deixam as pessoas viverem da maneira que querem e depois serem punidas eternamente no fogo do inferno? A questão é pavimentar e consolidar o poder, pura e simplesmente isso.

Voltando ao título do texto, por que comparei nossa sociedade a uma criança mimada? Pois esta tem poder sobre os pais, e o poder, em maior ou menor grau, te dá o direito de não ser contrariado.

Estamos vivendo uma fase de redistribuição e redefinição de poder. O mundo caminha para uma época na qual o poder emana mais do uso do que da posse. De nada adianta deter coisas se não souber como às utilizar. E aqui vale para dinheiro, conhecimento, cargo hierárquico etc.

"Growing Pains", mas esse é o preço de um amadurecimento tardio. Apenas espero que cresça logo, saia da barra da saia da mãe, arrume um emprego e comece a encarar a vida como adulto

quarta-feira, 27 de março de 2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Desapaixone se!




Existem certos conceitos que de tanto serem repetidos, passamos a achar corretos, sem ao menos questionar. O de que a paixão é uma coisa boa é uma delas.

Tudo bem que a paixão tem um fator evolucionário importante, tanto que ao invés de ser algo do “coração” ou da, cof, cof, “alma”, a paixão é o efeito de uma combinação de hormônios, principalmente da endorfina, que inunda nosso cérebro e tem como principal fator nos fazer apegar a alguém em um curto espaço de tempo. O exemplo clássico disso é quando se tem um filho, evolutivamente falando, se você não aceitar e ser capaz de qualquer coisa por essa criatura no menor espaço de tempo possível, a chance dele perecer é gigantesca. Por isso, principalmente as mães, são inundadas de endorfina na hora do parto, primeiro, para aliviar um pouco a dor, e depois, para serem capazes de se relacionar e querer bem, imediatamente, aquele vetor te tanta dor e desconforto.

Outro exemplo clássico é quando encontramos o nosso parceiro, de novo, temos poucos momentos para nos “prender” àquele/a que serão responsáveis por dividir nossos genes. Óbvio que isso fazia muito mais sentido antigamente, quando ainda vivíamos felizes e contentes fugindo de leões na savana africana, mas isso foi coisa de apenas uns 100.000 anos atrás, um nada em matéria evolucionária, muito pouco tempo para perdemos esses comportamentos fisiológicos. Mas como não sou nenhum especialista no assunto, e que isso é apenas uma introdução a reflexão que eu quero propor, sugiro a quem tiver o interesse ir ao Google e procurar “Paixão + hormônios”, “Paixão + fisiologia” e “Paixão + evolução”. Tem muita coisa interessante.
Mas vamos ao real tema do texto. Muito diferente do que você lê por ai em poemas, imagens motivacionais do Facebook e em pagodes e músicas sertanejas, a paixão não legal.

A paixão se caracteriza, principalmente, por uma diminuição significativa do poder de crítica e avaliação. E isso é fácil entender sabendo das bases fisiológicas que formam a paixão. É muito mais fácil você se apegar e relacionar a algo uma vez que você não reconheça suas falhas e defeitos. Outro fator pernicioso da paixão é o sentimento de posse, claro, você passou a se apegar a alguém e não admite perder de maneira alguma. E isso leva ao lado sombrio da paixão.

É a paixão que leva pessoas “inteligentes”, “educadas” que sempre foram um “bom moço / moça”, a viverem em uma relação onde se releva abusos, agressões e onde para não perder alguém, a pessoa prefere matar. Não a toa que os chamados crimes passionais recebem um atenuante frente a legislação, pois sabe se, que foram cometidos no calor da emoção, no meio de uma inundação de substâncias químicas no cérebro do indivíduo. Em contra partida, crimes premeditados são um agravante. Por terem sido calculados, pensados, deglutidos e digeridos. Sim, a racionalidade é a antítese da paixão.

E antes que me entendam mal, e eu tenha um monte de coisas para explicar em casa, quero diferenciar aqui a paixão do amor. Na paixão, você se conecta a outra pessoa apesar, dos defeitos, afinal, você não os enxerga. No amor, você se conecta a outra pessoa, também, por causa dos defeitos. Você entende a pessoa com suas virtudes e suas falhas, entende que isso é o que a caracteriza e entende que é essa totalidade que você quer para a sua vida. O amor é o que fica quando o hormônio vai embora.

Contudo, existe um tipo de paixão que se apropria de alguns dos mecanismos da paixão entre indivíduos, abre a porta para a manipulação e infelizmente não é tão breve. Que é a paixão por ideias.

Futebol, política e religião não se discute. Uma das máximas que todo mundo engole e que me deixa mais enojado. Dizem que esses temas não se discutem pois os mesmos são movidos essencialmente pela paixão.
Como já falado, a paixão tira do indivíduo seu senso crítico. Cobre com um tapume os defeitos do objeto da paixão. Se não é possível ver as falhas de algo tangível, que esta ao seu lado, dividindo uma vida, o que dizer de ideias que são colocadas por figuras de autoridade e as quais na grande maioria dos casos não se tem acesso?

O maior perigo dessa paixão ideológica, não é o simples fato de achar que a sua é a correta. É automaticamente achar que as outras são erradas. Apenas uma ideologia movida a paixão é capaz de (e não escrevo isso para chocar, nem exagerar), trancafiar pessoas em uma câmara de gás, queimar pessoas que se entendem pro bruxas, cortar clitóris e prepúcios, se jogar dentro de um jato em um arranha céu, se amarrar com bombas e detonar las dentro de uma lanchonete, colocar indivíduos em um navio, comercializa los, torturar por ter pensamentos diferentes a respeito do bens e capitais, agredir com uma lâmpada fluorescente no meio de uma avenida, se preocupar se essas pessoas podem ou não podem se casar, relevar se estes roubam pois os outros também roubam, achar que sempre seu time perdeu pois o juiz roubou e não por que o outro time era melhor, ver apenas os acertos dos seus e os erros dos outros.

Tudo isso meus caros e caras, é fruto da paixão.

Dizem que sem paixão a vida não é completa. Mentira! Com paixão, você vê apenas um lado dela.

Mas muitos podem dizer, “mas a paixão é o motor para se alcançar feitos difíceis”, ou algo do gênero. Pode até ser, mas definitivamente não é a melhor motivação. É a mesma coisa de dizermos que você pode ficar rico trabalhando, ou roubando um banco. Nos dois casos, efetivamente você pode ficar rico.

Quando se deixa guiar exclusivamente pela paixão, você encontra maneira para justificar caminhos não tão corretos, atalhos éticos e morais. Apenas analisando e tratando os ideais da forma mais racional possível é que se pode chegar a um objetivo, tendo total consciência e todas suas implicações.

A internet é um teatro propicio a receber os discursos mais apaixonados possíveis, procure qualquer tema, qualquer tema, do mais ou menos polêmico, do de maior ao de menor relevância, e encontrará defesas apaixonadas para todos os pontos de vista possível.

Mas, o/a caro/a leitor/a pode estar pensando, “que ironia, um discurso apaixonado contra a paixão”. Pode até parecer, se bem que não faz muito sentido, semanticamente falando. Porém para deixar claro, entendo todas as vantagens e desvantagens de se ver a vida da maneira mais racional possível. Apesar de entender que no longo prazo é a melhor e mais saudável maneira de se encarar a vida. Entendo também seus pontos negativos, por exemplo, é difícil, é chato, você acaba por ter dificuldades para entender as emoções das outras pessoas, passa a não ter uma relação diferente com seus sentimentos, tem menos frio na barriga, questiona essa busca incessante pela felicidade, enfim, poderia listar páginas de fatores não tão bacanas da vida pela racionalidade e procurar encarar tudo com uma abordagem e métodos mais científicos. Mas como escrevi lá no começo, essa é a diferença de paixão e amor. Entendo todos os contra tempos, mas ainda é o penso fazer mais sentido para ter na minha vida.

Por isso, desapaixone se, desapegue de ideologias, de verdades enlatadas. Tire suas próprias conclusões, encontre suas verdades, e mude as, a partir do momento que apresentarem novos fatos que vão contra.
Por isso sou fã do método científico, pois até o mais “enamorado” a uma tese, a uma ideia, será o primeiro a larga la no primeiro momento que a mesma for desprovada.

Sonho com o dia em que algum fanático, seja lá do que for, largue suas convicções por elas terem sido provadas erradas. Porém, entramos em um ciclo retórico, afinal, para isso acontecer, é necessário que se veja o lado contrário um agente que pode ter informações relevantes.

Duvide de quem te fornece verdades absolutas, as verdade transitórias são mais confiáveis. Se uma verdade baseada em fatos e não em ideias esta ai por um bom tempo, a chance de estar aí pelo simples fato de ainda não ter sido desprovada, tem muito mais valor.

Desapaixone se, pense, critique tudo e todos.

Apenas o ceticismo te libertará.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Papai Noel e os sinalizadores de Santa Maria e Oruro



O que Papai Noel tem a ver com os sinalizadores em Santa Maria e Oruro? Além de seu um título para chamar a atenção para este texto, ao meu ver tudo. Vou explicar.

Vivemos em uma sociedade baseada no medo de punição. Somos criados com uma mentalidade não de fazer o bem, e sim a de não fazermos o mal. E esse não fazer o mal, também não vem acompanhado de um embasamento ético, ele vem em companhia do medo de punição. Acho que todos somos familiarizados com as frases “Se comporte se não o Homem do Saco vai te pegar”, “Papai Noel não traz presente para criança mal criada”, “Se não comer tudo não vai ganhar ovo de chocolate do Coelhinho da Páscoa”, “Se você roubar, vai para o inferno”, “Presta atenção que matar da cadeia” e muitas outras, em todas as suas variações.

Esse tipo de repressão pode até surtir efeito na hora, mas ela tem um preço. Uma sociedade que deixa a responsabilidade da punição sempre a um agente terceiro. Aprende se a se manter na linha única e exclusivamente por medo da punição. Junte se a isto um estado fraco em termos de justiça e temos aqui a sociedade em que vivemos.

Afinal o que esperar de uma pessoa que cresce sobre essas bases, quando começa a perceber que Papai Noel não existe, nem Homem do Saco, nem Coelhinho da Páscoa, que se confessar e pedir perdão te livra do inferno, (precisei me controlar muito para não falar “nem Deus”, mas hoje o tema não é esse, mas apenas para informação geral à nação, não existe nem inferno, nem punição divina, e óbvio, nem deus. J )e que é muito difícil ser preso, e quando é, acaba por ser muito fácil sair?

Acabamos por ter uma sociedade cada vez mais permissiva, na qual a impunidade vira uma cultura e o fato de assumir responsabilidade de seus atos uma figura muito mais teórica do que prática. A quantidade de leis, de instâncias e brechas facilitam tudo isso.

E acaba por ser um ciclo vicioso, como visto aprendemos desde cedo a reprender o mal comportamento por meio de ameaças, então quando a situação fica complicada, qual a tendência? Criar mais leis, mais ameaças. E o que isso gera? Mais leis que não são cumpridas, maior sentimento de impunidade, novos problemas, novas leis para resolver esses problemas, e por ai vai.

Posto isto, vamos ao título deste texto, como relacionar o fato de acreditar em Papai Noel e ascender um sinalizador dentro de uma boate fechada ou atirar com um sinalizador marítimo contra uma torcida adversária? Simples, essas pessoas são idiotas. Não tenho dúvida que nem um nem o outro não tiveram a intenção de matar ou ferir ninguém. Na cabeça deles o fato de não poder utilizar tais artefatos era apenas mais uma lei, mais uma norma que estão ai para não serem respeitadas.

Vivemos em uma sociedade que entrega de bandeja o que podemos e o que não podemos fazer, e que nos ensina que geralmente o que não podemos fazer, não tem nenhuma consequência quando é feito. Não se incentiva a pensar o motivo pelo que não pode ser feito.
Então na cabeça desses elementos, falta uma parte importante na ferramenta de raciocínio, aquela parte que faz você parar por um momento e analisar, quais as implicações desse ato? Passa então ser natural acionar um artefato sendo que o único motivo que o impediria, é uma lei cujo seu desrespeito não se transformará em nenhuma punição.

Ok, o problema foi exposto, o que fazer então para resolver? Infelizmente o que a resposta tem de simples, tem de desanimadora. Bastaria a curto prazo fazer as leis funcionarem efetivamente, punir do mais banal ao mais grave incidente. E a longo prazo, mudar a cultura de como as crianças são educadas, tirando essas ameaças vazias do dia a dia, e ensinando a calcular causa e consequência, hipótese, tese e conclusão. Com isso garanto para vocês que uma pessoa não vai pegar em um carro bêbado, não pelo motivo de ser proibido, mas vai estar construído na mente do indivíduo a seguinte relação: bebida diminui os reflexos, o tempo de raciocínio e o poder de julgamento, dirigir é uma atividade que envolve reflexos, raciocínio e decisões, logo bebida e volante não combinam.

Existe uma expressão em inglês, a qual eu adoro, que é a seguinte: Be good for goodness sake, que traduzida ficaria algo como “seja bom pelo amor ao bem”, ou algo do gênero. Ela que nos faz fazer algo de uma maneira certa e ética quando não tem ninguém olhando, ou quando não tem punição envolvida. E sei que é uma utopia minha esperar viver um dia em uma sociedade que viva com base nisso. Ainda mais quando vejo pessoas que tiveram todas as oportunidades do mundo para aprender a ter este tipo de mentalidade, utilizando twitter para fugir de lei seca, dando jeitinho em imposto de renda, fazendo “gato-net” afinal, se os outros fazem, levam vantagem e não são punidos, por que motivo eu tenho que me sujeitar a seguir na linha. Porém, esses são os mesmos que quando da uma merda em uma festa de estudantes, EXIGEM que todos sejam presos, até o médico que fez o parto do dono da boate. E o que me assusta, e me assusta muito, é que eles não são capazes de fazer uma relação entre os próprios atos e as tragédias dos terceiros.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

50% +1 - Mais da metade da vida não acreditando, e sendo muito feliz por conta disso (Parte 4)


Capítulo 4 - Fim (Afinal, já rendeu mais que o esperado)

Então, estou de volta, gostaria de dizer que esse tempo afastado foi por estar resolvendo assuntos importantes, encontrando a cura do câncer, encontrando o bóson de Higgs, etc.

Mas não, foi pura preguiça e procrastinação, fazer o quê né?

Como sempre, é bom lembrar que se é a primeira vez que você esta vindo aqui, você pode ver a parte 1 aqui, a 2 aqui e a 3 aqui.

Continuando, se me lembro bem, havíamos parado quando assumi meu ateísmo para a família, amigos e o mundo.

Como nunca escondi minha posição, foi natural por muitas vezes ter que esclarecer o que era ser ateu, conviver com perguntas do tipo: “Tá você não acredita em deus, mas em espírito pelo menos você acredita né?” ou “Mas nem em anjo você acredita?”, também tinha “Tá, mas quando você morrer, você não acha que tudo acaba né?” e a melhor e sempre presente “Então se você não acredita em deus, você acredita no diabo?”. É amigos e amigas, não é fácil não.

E isso invariavelmente levava ao início de um debate, porém na maioria das vezes, um debate que não leva a nada. Afinal são duas maneiras completamente diferentes de se ver o mundo e construir o raciocínio. De um lado, os fatos e análises valem mais do que a conclusão, do outro, a conclusão vale mais que os fatos e análises não existem. Porém, com 17, 18 anos, isso não importava, e eu era capaz de ficar horas debatendo, tentando mostrar as falácias, os loopings argumentativos, tendo que explicar ciência 101, não era fácil.

Mas esses primeiros embates de visões me levaram a perceber que me faltava muita base de conhecimento, para questões como de onde vem o universo, de onde viemos, como surgiu a vida, etc. E como já estava bem grandinho para aceitar respostas do tipo, “Ah, foi deus que criou”, percebi que era importante começar entrar um pouquinho no mundo das ciências, comecei a comprar alguns livros sobre os temas, assistir a documentários, consumir artigos, essas coisas. E fui cada vez mais me apaixonando, não só pelo tema, mas pela metodologia utilizada para se chegar as conclusões. Você passa a perceber que não existe resposta de graça, tudo tem que ter como base evidências conhecidas, e que se amanhã uma evidência passa a não fazer sentido, você reavalia suas premissas e chega a um novo modelo e uma nova conclusão, mesmo que isso invalide anos de trabalho e pesquisa.

Mesmo estando longe, anos luz de distância de dizer que sei sobre física, química e biologia, posso dizer que hoje tenho um entendimento maior que a média, infelizmente, afinal isso significa que a maioria não tem nem o básico.

Esse pouco conhecimento adquirido durante esse tempo fez com que cada vez mais fique insuportável entrar em debates com pessoas religiosas, a distância de argumentação é tão grande que passa a não nenhum sentido a discussão. E para não correr o risco de perder amizades e ser visto como arrogante, pretencioso e etc, há um bom tempo não entro nesse tipo de embate, que sempre acaba por me levar a tecer comentários irônicos e ver o outro lado com um pouco de decepção, e pelo bem dos relacionamentos isso não é legal. Com o tempo você aprende a sair pela tangente, a evitar confrontos diretos, percebe que é uma perda de tempo.

Hoje não me importo se a pessoa acredita ou não em alguma coisa, se quer se enganar, se precisa de conforto externo, se não se sente confortável com a ideia de que só ela é responsável por seus atos, que não existe um plano divino, que a vida é só uma, que não vai ver seus parentes e amigos em um outro plano, o problema realmente não é meu. O que me incomoda, e muito, é quando essas convicções passam a atrapalhar o cotidiano, a vida de outras pessoas.

Se uma pessoa acha que ser gay vai levar ao inferno, não seja gay e pronto. Se acredita que abortar vai garantir a danação, não aborte. Se quer viver a vida como manda uma porra de um livro, viva. Mas não exija que outras pessoas embarquem em sua fantasia e que tenham que pautar suas atitudes da mesma maneira.

Não tenho dúvida que no futuro dizer que acredita em algum tipo de deus gerará tanto espanto quanto se hoje alguém falar que acredita em gnomos, ou que o Harry Poter é real.

Mas até lá, continuamos vivendo em uma sociedade em que dizer que uma pessoa é má é equivalente a dizer a pessoa “não tem deus no coração”.

Bom é isso, sei que não foi uma grande história, mas era algo que eu queria dividir com a internet, se alguém gostou, fico feliz. Se não gostou, desculpa pelo tempo perdido.

Mas é isso aí, com certeza existem pessoas muito mais gabaritadas para falar sobre ateísmo do que eu, então se quiser garantir algumas boas horas de leitura, diferentemente das perdidas aqui nesse blog, procure começar com os cavaleiros do apocalipse, Dawkins, Hitchens, Dennett e Harris.

Cheers

domingo, 25 de setembro de 2011

Eles não acreditam

Longe de mim querer apelar para um argumento de autoridade, mas esse é um vídeo que sempre me arrepia.


Gente brilhante, com declarações brilhantes.


Vale ganhar uma horinha de sua vida vendo isso....